quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Entre a chegada e a partida.

E se eu disser que bom foi te encontrar
E se eu disser que foi sem querer
Você acredita nas voltas da vida?

Aqueles tais encontros
Se transformaram em desencontros
Assim eu esperava. Assim eu já sabia
Você se surpreenderia?

E se eu disser que foi boa aquela prosa
E se eu disser que o tempo não volta
Você dá ré e faz a volta?

Não importa o quanto perdi
Sei que mais eu ganhei
Enquanto brinquei e joguei

E se eu disser que a vida é assim
Você acredita em mim?

sábado, 5 de novembro de 2011

Use e (não) abuse


Pareço, logo existo

Foi-se o tempo em que a disputa se resumia ao clássico Ser x Ter. Dizem que ninguém mais dá a mínima para o que é, só para o que tem. Exagero. As pessoas ainda se preocupam com o que são. O problema é que não gostam do que são. Gostariam de ser outra coisa. E aí entra o verbo que está no topo das paradas hoje em dia: parecer.


Tem gente que quer parecer rica, e adota um padrão de vida que não condiz com a sua realidade. Pra manter a fachada de bem-nascida, acaba colecionando dívidas e queimando seu nome na praça. Nos eventos sociais, pode até ser a mais fotografada, mas para os comerciantes é bola preta na certa. A rica mais sem crédito das colunas.

Tem aqueles que querem parecer mais bem relacionados do que são, e se enturmam, forçam intimidade e grudam feito chiclete em pessoas que mal conhecem, só para descolar um convite para uma festa, um show, uma estreia, qualquer lugar que projete.
Os que querem parecer mais cultos do que são, você sabe, são aqueles que nunca foram além do prólogo do livro e é o que basta para olharem a ralé de cima para baixo, como se fossem portadores da sabedoria universal.

Há os que querem parecer mais jovens do que são: bom, quem não gostaria? É uma dádiva parecer ter cinco anos menos, sem esforço. A genética é mais generosa com uns do que com outros. Há muito tempo que eu não tento mais adivinhar a idade de ninguém: sempre erro, já que todo mundo parece ter bem menos. Mas se você tem 56 e parece ter 56, não é caso para enfiar a cabeça dentro do forno.

Os casos mais patéticos, no entanto, são os daquelas pessoas que querem parecer mais felizes do que são. O recurso adotado: mentem. O casamento delas está uma lua de mel, os filhos só dão alegrias, são muito requisitadas no trabalho, os amigos não param de telefonar, a vida tem sido um passeio num campo florido, e fica sem explicação aquele olhar melancólico, o sorriso forçado, a exaustão de ter que passar o falso entusiasmo adiante, como se não tivéssemos condições de perceber seu verdadeiro estado de ânimo, que é coisa que se transmite sem palavras. Ver alguém se esforçando para parecer feliz é das situações mais constrangedoras que se pode testemunhar.

Está triste? Esteja! Não é rico, nem jovem, nem belo? Nem por isso ficará sozinho. Pessoas não se apaixonam por estereótipos, mas pela singularidade de cada um, pela capacidade de ser surpreendido, pela sedução que o inusitado provoca. Uma pessoa que se preocupa em “parecer” já está derrotada no primeiro minuto de jogo. Dá valor demais à opinião dos outros, não age conforme a própria vontade, não se assume do jeito que é, inventa personagens para si mesmo e acaba se perdendo justamente deste “si mesmo”, que fica órfão. Quer parecer mais inteligente? Comece admitindo que não sabe nada sobre nada e toque aqui: ninguém sabe.
(texto de Martha Medeiros, publicado no jornal Zero Hora/RS – 21/setembro/2011)

Esse texto me fez pensar em como o mundo muda e em como somos carregados por essas mudanças, seja voluntaria ou involuntariamente. Hoje em dia, não dá para negar que as redes sociais tomaram uma dimensão descontroladamente gigante e que, muitas vezes, para alguns, é difícil separar o mundo virtual do mundo real. O primeiro é paraíso criativo. É possível criar, mudar e reinventar. Nele, seu perfil define quem você é, ou quem você quer ser, na maioria das vezes. Já no mundo real, o espelho diz muito mais sobre você do que gostaria. 
Apesar de permear pelos dois Universos, é interessante delinear os muros de contorno que definam os limites entre um e outro. Deixar que os dois se fundam e se percam em suas definições podem deixá-lo perdido com dificuldades em achar o caminho de volta. Dizem que tudo em excesso faz mal. Prefiro não ver para crer.

Superficialidade não me atrai. Não quero uma realidade inventada, mas inventar o que é irreal...

domingo, 23 de outubro de 2011

Essencial invisível aos olhos

Hoje acordei com o pé direito. Cheia de energia, passei pela sala a caminho do banheiro e pude ver pai e irmão rindo de algo. Ao passar pela cozinha, sinto um aroma agradável do pão fresquinho da padaria que minha mãe havia acabado de comprar. Continuei meu caminho e logo avistei meu cão fazendo pose e dando a pata como uma forma de pedir carinho.

Poderia dizer que hoje foi um domingo como um outro qualquer. Um dia em casa, em família, conversas, brincadeiras, música e tudo mais. Mas insisto em dizer que não foi um dia comum. Ao ver meu cão carente brincando de apostar corrida com meu irmão senti um friozinho no estômago. Um misto de alegria com medo de felicidade. É, medo sim. Medo de perder essa sensação tão boa aqui dentro que conforta e faz sorrir. Hoje não foi um dia comum, especialmente porque não tive o mesmo olhar sobre as mesmas coisas.

Alguns momentos na vida, por mais que corriqueiros, tornam-se únicos e tão valiosos que, às vezes, só notamos muito tempo depois. Uma pena.

Não por ter ficado em casa. Não por ter comido um pãozinho gostoso de manhã ou por ter dormido sem hora para acordar. Foi um dia excepcional porque estive em família. E percebi que família é a coisa mais importante do mundo.

O interessante é que eu já sabia disso. Mas eu sabia disso da mesma forma que eu sei um monte de outras coisas que me são passadas desde sempre. Mas saber de verdade mesmo não sei se sabia antes e, hoje, além de saber, eu senti. O importante é que vivi um dia inesquecível. E alguém vai dizer: “nada demais”.  Enquanto eu pensarei: “simplesmente tudo”.

De vez em quando é preciso parar, olhar para o lado e ver em que direção se está seguindo. Se perceber que o caminho está errado sempre há tempo de voltar e seguir seus instintos. Só cuidado para quando voltar não levar um susto quando notar o que perdeu. Esteja preparado.

Essas coisas que as pessoas sempre falam de seguir o coração ou que vai dar tudo certo se você acreditar e fazer acontecer, que lembra livro de auto-ajuda, que lembra algo careta, às vezes, pode dar certo se você tem com quem contar.

Percebi, neste dia, que a felicidade é mesmo um mistério ao qual me orgulho em desvendar pouco a pouco e que a essência da vida, muitas vezes, está naquele pontinho de inocência com um tom infantil escondido lá no fundo do peito. Ser careta, às vezes, é ser feliz. Viva a família, viva o amor, viva as coisas simples, viva a vida!

E se te perguntarem sobre aquilo que mais te importas na vida, não hesites em SENTIR antes de PENSAR.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O que você quer?

Dançou conforme a música. Cantou conforme a letra. Contou conforme o texto. Falou conforme o discurso. Riu conforme o momento. Chorou por conveniência. Elogiou pra ser educado. Abraçou porque todos o fizeram. Beijou porque pediram. Estudou porque mandaram. Comprou pra ser igual. Comeu o necessário. Pesquisou o requisitado. Bateu para defender-se. Brincou com vergonha. Calou-se por medo. Sobreviveu.

Dançou até o chão. Cantou com emoção. Contou os detalhes. Falou sem restrições. Riu até doer. Chorou tristeza. Sorriu alegria. Abraçou forte. Beijou até amanhecer. Estudou para descobrir. Comprou porque queria. Comeu pra degustar. Pesquisou pra inovar. Entrou na briga pra ganhar. Brincou como criança. Silenciou por sabedoria.  Viveu.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Experiência

Sugo cada segundo, delineio cada passo na esperança de burlar o relógio e estar sempre à frente na escola da vida. Mas esse tempo é um cara esperto: tão sagaz e veloz que é capaz de perceber qualquer movimento fora de hora. Aprendizado e maturidade são amigos e talvez seja por isso que prefiram andar juntos. Como diria a minha vó: Tudo ao seu tempo.

E quando eu alcançar
essa tal de paz interior
vai ser como o azul 
do mar calmo
que se transforma
para o pôr-do-sol
que se aproxima.

domingo, 28 de agosto de 2011

Tudo muda o tempo todo

"Não me envergonho de mudar de ideia porque não me envergonho de pensar." Chico Anysio.
Quem me conhece sabe que eu adoro frases. Gosto tanto que coleciono. Muitas são as que me emocionam, outras me fazem rir, mas, algumas, simplesmente marcam. E por mais que eu tente esquecê-las elas voltam a minha mente, sem pedir licença, e ficam chamando a atenção de meus pensamentos, como uma criança que chama a atenção da mãe para comprar um brinquedo, até que eu pare e reflita sobre ela.

A frase do Chico Anysio, reproduzida acima, foi uma dessas (in)convenientes reflexões difíceis de dizer não. E quando dou por mim, já estou refletindo sobre o sentido daquelas palavrinhas soltas ao vento que se unem para formar algo de muito ou pouco valor.

Ouvir essa frase foi um alívio em minha alma. Sabe quando você quer explicar uma coisa, mas não sabe uma maneira de fazer isso até alguém vir e simplificar tudo? E daí você fala: “É isso!” Pois é, não muito raramente acontece comigo.

Sempre fui a favor da troca de opiniões/idéias... acredito que o ser humano vive em constante mudança e acho isso extremamente bom! Mudar é sinal de atenção; mudar é sinal de que estamos vivos, de que nos preocupamos; mudar é sinal de que havia algo errado. Pra mudar é preciso ter coragem. Dizer uma coisa hoje e mudar de idéia amanhã não é nenhum pecado, como muitos dizem. Esse preconceito tem de parar! Longe de mim querer incentivar algum tipo de desvio de personalidade ou inconstância, só digo que é uma questão de percepção... muitas vezes tenho uma idéia fixa em minha cabeça, mas relativizo as coisas quando converso com pessoas ou vejo algo que me faz mudar de opinião.

Uma coisa que aprendi nessa vida é que nada é pra sempre, tudo muda o tempo todo e temos que estar dispostos a encarar a nós mesmos diante de toda e qualquer mudança. Mudar renova, mudar faz bem! Mude e sinta! Mude de opinião, mude o corte de cabelo, mude seu estilo de vida. Idéias enraizadas são muito boas para defender causas ou contar histórias, mas não são capazes de transformar pessoas.

Reflito e quando acho que cheguei à solução do problema não tenho medo de refletir mais. Não tenho dúvidas de que estou aqui para aprender com erros, acertos e tropeços!
Penso, logo mudo.

Aproveitando o tema,  paro por aqui com outra frase que gosto muito:
"Seja a mudança que você quer ver no mundo." Gandhi.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pequenos sinais

Por diversas vezes, nosso corpo sinaliza quando algo está errado. Uma dorzinha lá, uma cicatriz aqui, um roxo ali, uma olheira acolá. Alguns detalhes que por diversas vezes passam despercebidos. Muitos desses sinais permanecem por um longo tempo com a esperança de serem notados e, por fim,“tratados”, mas ainda assim, frequentemente acabamos nos esquecendo deles ou nos lembrando de coisas mais importantes para fazer. Afinal de contas, “não há de ser grave”, pensamos.

Uma vez ou outra, o nosso cérebro  também nos envia sinais através de alguns pensamentos aleatórios que achamos não possuir pertinência naquele instante. Ainda que não tratemos tais “fisgadas” com a devida atenção para algo que esteja acontecendo sob essa capa artificial e frágil a qual chamamos de corpo, muitas vezes somos pegos de surpresa ao nos depararmos com certas perguntas retóricas. Quando você se dá conta já não pode mais controlar esse bombardeio de (in)sanidade e se surprende ao perceber que está refletindo sobre coisas fora do contexto.

Mas, afinal, que contexto seria esse? Você já parou para pensar quantas vezes ao dia você pára para refletir sobre coisas que não estavam no roteiro? Ou melhor, qual foi a última vez que você olhou para o que estava ao seu redor de uma maneira diferente; com um outro olhar? Nunca teve curiosidade em saber sobre a vida daquelas tantas pessoas que passam por você pela calçada? Nunca se perguntou sobre a história de vida delas ou o que as levou a cruzarem seu caminho?

Uma vez alguém desenhou um ponto em uma folha e me perguntou o que eu estava vendo. Respondi que via um ponto, nada mais e a pessoa me advertiu perguntando se eu não estava vendo a folha de papel em branco sob a qual o ponto estava. Às vezes fixamos nossas idéias em um caminho tão óbvio para nós que deixamos de perceber o que há em volta.

Insisto: nunca parou para refletir sobre ritmo corrido e sem fôlego pelo qual passamos rotineiramente? Qual foi a última vez que você interrompeu o curso normal de sua viagem ao trabalho apenas para admirar a paisagem? E o calor? E o frio? Você realmente os sente como deveria sentir ou só percebe que eles existem quando começam a incomodá-lo, assim como a dor, apontada acima?

Você deve estar se perguntando onde eu quero chegar com tantas perguntas sem nexo. Não sei, mas posso pensar a respeito. O mundo não é mais o mesmo, mas disso todos nós sabemos. A evolução técnológica, a velocidade das informações, a necessidade que sentimos em nos manter atualizados, a obsessão pelo lucro, a ganância, ou mesmo o desespero são fatores que levam à correria do dia-a-dia e nos mantém, muitas vezes, alienados ao que ocorre a nossa volta.

Você pode não admitir de imediato, mas se parar para pensar vai perceber que raros são os momentos em que sai do automático para fazer ou pensar em pequenas coisas que acontecem a todo tempo, mas que não dá a devida importância. Pequenas coisas, ainda que julgadas pejorativamente pelo tamanho, em sua maioria, não deixam de ser coisas dignas de atenção.

"Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. " Luís Fernando Veríssimo.