quarta-feira, 25 de abril de 2012


O que te faz sorrir?

Tenho uma amiga que é muito fácil de agradar. Qualquer gesto de carinho a faz sorrir e ficar feliz da vida, desde um bombom até um adesivo de caderno. Ela me faz querer ajudá-la a todo tempo pelo simples fato de transformar um gesto pequeno meu em algo realmente significante.

O dia de ontem foi um dia meio atípico, desses em que não há nada que faça você se concentrar, a minha mente voava e não estava com vontade de fazer absolutamente nada. Tem gente que é assim todos os dias, mas não gosto quando isso acontece porque sou feliz com meu trabalho, faculdade, amigos, e tudo que está a minha volta. Sou agradecida pela minha vida e não acho justo ficar andando de mal humor por aí. Eu não mereço isso e muito menos os outros que comigo convivem.

Apesar disso, às vezes não há como evitar e como se não bastasse uma TPM por mês, de vez em quando, vem uma extra dessas bem fora de hora. Fato é que tudo que eu mais desejava era que o dia acabasse logo.

No caminho de volta para casa (enfim!) tinha um degrau muito alto para subir porque a barca estava em desnível com a plataforma. Assim, um cara que estava ao meu lado ofereceu a mão pra me ajudar a subir e sorriu ao mesmo tempo. Resultado: fiquei embasbacada com o cavalheirismo. Foi um gesto de gentileza que mudou meu dia - meio idiota, eu sei - mas eu estava com uma carga tão negativa e vem alguém e me faz uma gentileza do nada?! Fiquei de uma forma diferente querendo repassar o gesto à frente.

 Dito e feito. Assim que cheguei em casa, me deparei com essa minha amiga desesperada com um trabalho da faculdade que tinha para entregar no outro dia. Claramente precisava de ajuda. Normalmente, pensaria em ajudar, mas logo lembraria das milhares de tarefas e coisas a fazer e me colocaria em primeiro lugar. Mas depois de receber um gesto tão inesperadamente bom no meu dia resolvi fazer diferente: fiquei até tarde pesquisando e ajudando no trabalho dela.

Sei que essas coisas são simplórias e sem importância para a maioria das pessoas, mas é que esse tipo de atitude, que devia ser natural, é tão raro... que me fez sorrir! E você, o que te fez sorrir hoje?

sexta-feira, 13 de abril de 2012


Despe(vida)

Sempre me pergunto o porquê da dor presente nas despedidas. Nem sempre elas precisam ser motivo de sofrimento. Às vezes, deixar alguém ir embora da sua vida, muito mais do que um peso, torna-se um alívio. O medo de perder algo ou uma oportunidade faz com que limitemos as decisões e nos faz colocar vírgulas no lugar de pontos finais todo o tempo.
Aprendi esses dias que esse negócio de querer bancar a boazinha e se dar bem com todo mundo nem sempre dá certo. Sempre tive dificuldades em me indispor com as pessoas. Na verdade, é difícil me deixar chateada. E se fico, geralmente não guardo mágoas e logo já estou às mesmas com a pessoa.
Mas peralá! Isso tudo tem um limite! Tem certas pessoas que abusam da paciência e não cansam de te decepcionar. E aí você dá uma segunda chance para acabar tudo como da primeira vez. Confesso que já dei terceiras chances. Para nunca mais (ops, disse nunca?!). É isso mesmo. Perdoar é um dom e é por isso que você tem que se perdoar por não ter perdoado alguém depois de ter lhe dado uma chance.
Será que isso poderia ser denominado orgulho? Amor próprio talvez? Não sei. Só sei que quando alguém que você gosta muito parece demonstrar sentimentos não muito recíprocos e não te dá o valor devido (o preço é você quem dita) algo começa a ficar fora do eixo e aí você começa a se perguntar se vale a pena.
Às vezes esse negócio de tantas chances pode ter a ver com um pouco de teimosia, no meu caso (Tem que dar certo!). Mas aí chega aquele momento em que você acorda no meio do deserto como se não tivesse mais nada. Acabou. A pessoa foi embora da sua vida. E dessa vez é você que não vai deixá-la entrar novamente. Não porque ela não seja uma boa pessoa, mas porque ela não foi uma boa pessoa com você.
Abre parênteses - Cada um tem um valor. Geralmente ele está ligado ao autovalor remetido a si mesmo. Está certo que nem sempre vale esta regra. Tem pessoas que são muito mais do que aquilo que pensam que são, mas você mantém isso em segredo até que ela descubra a importância que tem em sua vida – fecha parênteses.
Encaro a vida como uma estrada. Quantas pessoas passam por ela! Muitas delas permanecem caminhando junto, outras se perdem pelo caminho e nos encontram novamente em uma curva mais a frente. Até aí tudo bem. O problema são aquelas que você deixa para trás e, a partir disso, tomam um novo rumo.
Valorize quem te valoriza. Ame o que é verdadeiro. Respeite os sinais e jamais deixe para trás alguém que só quer que você seja feliz.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Entre a chegada e a partida.

E se eu disser que bom foi te encontrar
E se eu disser que foi sem querer
Você acredita nas voltas da vida?

Aqueles tais encontros
Se transformaram em desencontros
Assim eu esperava. Assim eu já sabia
Você se surpreenderia?

E se eu disser que foi boa aquela prosa
E se eu disser que o tempo não volta
Você dá ré e faz a volta?

Não importa o quanto perdi
Sei que mais eu ganhei
Enquanto brinquei e joguei

E se eu disser que a vida é assim
Você acredita em mim?

sábado, 5 de novembro de 2011

Use e (não) abuse


Pareço, logo existo

Foi-se o tempo em que a disputa se resumia ao clássico Ser x Ter. Dizem que ninguém mais dá a mínima para o que é, só para o que tem. Exagero. As pessoas ainda se preocupam com o que são. O problema é que não gostam do que são. Gostariam de ser outra coisa. E aí entra o verbo que está no topo das paradas hoje em dia: parecer.


Tem gente que quer parecer rica, e adota um padrão de vida que não condiz com a sua realidade. Pra manter a fachada de bem-nascida, acaba colecionando dívidas e queimando seu nome na praça. Nos eventos sociais, pode até ser a mais fotografada, mas para os comerciantes é bola preta na certa. A rica mais sem crédito das colunas.

Tem aqueles que querem parecer mais bem relacionados do que são, e se enturmam, forçam intimidade e grudam feito chiclete em pessoas que mal conhecem, só para descolar um convite para uma festa, um show, uma estreia, qualquer lugar que projete.
Os que querem parecer mais cultos do que são, você sabe, são aqueles que nunca foram além do prólogo do livro e é o que basta para olharem a ralé de cima para baixo, como se fossem portadores da sabedoria universal.

Há os que querem parecer mais jovens do que são: bom, quem não gostaria? É uma dádiva parecer ter cinco anos menos, sem esforço. A genética é mais generosa com uns do que com outros. Há muito tempo que eu não tento mais adivinhar a idade de ninguém: sempre erro, já que todo mundo parece ter bem menos. Mas se você tem 56 e parece ter 56, não é caso para enfiar a cabeça dentro do forno.

Os casos mais patéticos, no entanto, são os daquelas pessoas que querem parecer mais felizes do que são. O recurso adotado: mentem. O casamento delas está uma lua de mel, os filhos só dão alegrias, são muito requisitadas no trabalho, os amigos não param de telefonar, a vida tem sido um passeio num campo florido, e fica sem explicação aquele olhar melancólico, o sorriso forçado, a exaustão de ter que passar o falso entusiasmo adiante, como se não tivéssemos condições de perceber seu verdadeiro estado de ânimo, que é coisa que se transmite sem palavras. Ver alguém se esforçando para parecer feliz é das situações mais constrangedoras que se pode testemunhar.

Está triste? Esteja! Não é rico, nem jovem, nem belo? Nem por isso ficará sozinho. Pessoas não se apaixonam por estereótipos, mas pela singularidade de cada um, pela capacidade de ser surpreendido, pela sedução que o inusitado provoca. Uma pessoa que se preocupa em “parecer” já está derrotada no primeiro minuto de jogo. Dá valor demais à opinião dos outros, não age conforme a própria vontade, não se assume do jeito que é, inventa personagens para si mesmo e acaba se perdendo justamente deste “si mesmo”, que fica órfão. Quer parecer mais inteligente? Comece admitindo que não sabe nada sobre nada e toque aqui: ninguém sabe.
(texto de Martha Medeiros, publicado no jornal Zero Hora/RS – 21/setembro/2011)

Esse texto me fez pensar em como o mundo muda e em como somos carregados por essas mudanças, seja voluntaria ou involuntariamente. Hoje em dia, não dá para negar que as redes sociais tomaram uma dimensão descontroladamente gigante e que, muitas vezes, para alguns, é difícil separar o mundo virtual do mundo real. O primeiro é paraíso criativo. É possível criar, mudar e reinventar. Nele, seu perfil define quem você é, ou quem você quer ser, na maioria das vezes. Já no mundo real, o espelho diz muito mais sobre você do que gostaria. 
Apesar de permear pelos dois Universos, é interessante delinear os muros de contorno que definam os limites entre um e outro. Deixar que os dois se fundam e se percam em suas definições podem deixá-lo perdido com dificuldades em achar o caminho de volta. Dizem que tudo em excesso faz mal. Prefiro não ver para crer.

Superficialidade não me atrai. Não quero uma realidade inventada, mas inventar o que é irreal...

domingo, 23 de outubro de 2011

Essencial invisível aos olhos

Hoje acordei com o pé direito. Cheia de energia, passei pela sala a caminho do banheiro e pude ver pai e irmão rindo de algo. Ao passar pela cozinha, sinto um aroma agradável do pão fresquinho da padaria que minha mãe havia acabado de comprar. Continuei meu caminho e logo avistei meu cão fazendo pose e dando a pata como uma forma de pedir carinho.

Poderia dizer que hoje foi um domingo como um outro qualquer. Um dia em casa, em família, conversas, brincadeiras, música e tudo mais. Mas insisto em dizer que não foi um dia comum. Ao ver meu cão carente brincando de apostar corrida com meu irmão senti um friozinho no estômago. Um misto de alegria com medo de felicidade. É, medo sim. Medo de perder essa sensação tão boa aqui dentro que conforta e faz sorrir. Hoje não foi um dia comum, especialmente porque não tive o mesmo olhar sobre as mesmas coisas.

Alguns momentos na vida, por mais que corriqueiros, tornam-se únicos e tão valiosos que, às vezes, só notamos muito tempo depois. Uma pena.

Não por ter ficado em casa. Não por ter comido um pãozinho gostoso de manhã ou por ter dormido sem hora para acordar. Foi um dia excepcional porque estive em família. E percebi que família é a coisa mais importante do mundo.

O interessante é que eu já sabia disso. Mas eu sabia disso da mesma forma que eu sei um monte de outras coisas que me são passadas desde sempre. Mas saber de verdade mesmo não sei se sabia antes e, hoje, além de saber, eu senti. O importante é que vivi um dia inesquecível. E alguém vai dizer: “nada demais”.  Enquanto eu pensarei: “simplesmente tudo”.

De vez em quando é preciso parar, olhar para o lado e ver em que direção se está seguindo. Se perceber que o caminho está errado sempre há tempo de voltar e seguir seus instintos. Só cuidado para quando voltar não levar um susto quando notar o que perdeu. Esteja preparado.

Essas coisas que as pessoas sempre falam de seguir o coração ou que vai dar tudo certo se você acreditar e fazer acontecer, que lembra livro de auto-ajuda, que lembra algo careta, às vezes, pode dar certo se você tem com quem contar.

Percebi, neste dia, que a felicidade é mesmo um mistério ao qual me orgulho em desvendar pouco a pouco e que a essência da vida, muitas vezes, está naquele pontinho de inocência com um tom infantil escondido lá no fundo do peito. Ser careta, às vezes, é ser feliz. Viva a família, viva o amor, viva as coisas simples, viva a vida!

E se te perguntarem sobre aquilo que mais te importas na vida, não hesites em SENTIR antes de PENSAR.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O que você quer?

Dançou conforme a música. Cantou conforme a letra. Contou conforme o texto. Falou conforme o discurso. Riu conforme o momento. Chorou por conveniência. Elogiou pra ser educado. Abraçou porque todos o fizeram. Beijou porque pediram. Estudou porque mandaram. Comprou pra ser igual. Comeu o necessário. Pesquisou o requisitado. Bateu para defender-se. Brincou com vergonha. Calou-se por medo. Sobreviveu.

Dançou até o chão. Cantou com emoção. Contou os detalhes. Falou sem restrições. Riu até doer. Chorou tristeza. Sorriu alegria. Abraçou forte. Beijou até amanhecer. Estudou para descobrir. Comprou porque queria. Comeu pra degustar. Pesquisou pra inovar. Entrou na briga pra ganhar. Brincou como criança. Silenciou por sabedoria.  Viveu.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Experiência

Sugo cada segundo, delineio cada passo na esperança de burlar o relógio e estar sempre à frente na escola da vida. Mas esse tempo é um cara esperto: tão sagaz e veloz que é capaz de perceber qualquer movimento fora de hora. Aprendizado e maturidade são amigos e talvez seja por isso que prefiram andar juntos. Como diria a minha vó: Tudo ao seu tempo.

E quando eu alcançar
essa tal de paz interior
vai ser como o azul 
do mar calmo
que se transforma
para o pôr-do-sol
que se aproxima.